José Mianutti é artista visual e professor de Arte, licenciado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Nascido em São Paulo, em 1980, vive e trabalha em Curitiba, Paraná, onde desenvolve sua produção artística e projetos dedicados ao ensino do desenho e da pintura.
Seu contato com a aquarela começou em 1995, quando participou de um curso de desenho e aquarela no Museu Alfredo Andersen, em Curitiba, ministrado por Lina Iara Otto. Desde então, a pintura passou a ocupar um lugar central em sua trajetória, acompanhada pelo estudo contínuo dos materiais, dos procedimentos técnicos e das possibilidades expressivas da imagem.
Ao longo de sua formação, Mianutti aprofundou seus estudos em Artes Visuais na UFPR, entre 2002 e 2005, e participou de cursos e atividades voltados à história da pintura e à arte contemporânea, incluindo estudos com Geraldo Leão e atividades no Centro de Arte Contemporânea Edilson Viriato. Essa formação contribuiu para uma prática que articula investigação técnica, observação e reflexão sobre a construção da imagem.

Uma trajetória entre a pintura e a arte contemporânea
A produção artística de José Mianutti abrange diferentes técnicas e materiais, incluindo aquarela, guache e outras modalidades de pintura. Ao longo de sua trajetória, participou de exposições individuais e coletivas, salões de arte e mostras realizadas em diferentes cidades brasileiras e no exterior.
Em 2006, participou da exposição Draw_drawing_2, vinculada à London Biennale, realizada na The Foundry Gallery, em Londres, no Reino Unido. No Brasil, integrou importantes mostras e salões, entre eles o Arte Pará, em Belém, nas edições de 2008 e 2011, e o 34º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo (SARP), em 2009.
Sua trajetória expositiva inclui também a mostra Arte Londrina — Pós-paisagem, realizada em 2013 na Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina, e o 2º Salão de Outono da América Latina, apresentado em 2014 no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Em 2012, realizou a exposição individual Probare, na Galeria de Arte do SESC Centro, em Curitiba. A mostra integra seu percurso de investigação e apresentação pública da produção artística.
Suas obras também integram acervos institucionais, entre eles o da Secretaria de Cultura de Guarulhos, em São Paulo, e o do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP). Esses registros constituem parte da documentação pública de sua trajetória e de sua participação no circuito artístico brasileiro.

Aquarela: luz, transparência e percepção
Na produção de Mianutti, a aquarela ocupa uma posição de destaque não apenas como técnica de pintura, mas como campo de investigação visual. O interesse pelas características específicas do meio — a transparência, a fluidez dos pigmentos, as sobreposições e as relações entre água, papel e cor — orienta parte importante de sua pesquisa.
Em suas naturezas-mortas, objetos cotidianos tornam-se motivos para investigar a maneira como a luz incide sobre as superfícies e transforma a percepção dos volumes. Vidros, reflexos, brilhos e transparências exigem uma observação atenta das relações entre luz e sombra, cor e valor tonal, contorno e ambiente.
Em vez de considerar esses elementos apenas como dificuldades técnicas a serem superadas, sua abordagem procura compreender como eles participam da construção da imagem. A representação de um objeto transparente, por exemplo, depende menos de uma fórmula isolada do que da percepção das relações visuais que o definem: os reflexos, as distorções, as variações de luminosidade e as cores do entorno.

Essa investigação aproxima o exercício técnico de uma questão mais ampla da pintura: como organizar aquilo que vemos para construir uma imagem convincente, coerente e expressiva?
A aquarela oferece um terreno particular para essa pesquisa. Sua natureza exige planejamento, capacidade de observação e compreensão das interações entre pigmento, água e papel, ao mesmo tempo que incorpora acontecimentos próprios do material. O trabalho se desenvolve, assim, na relação entre intenção, controle e resposta às características do meio.
A pesquisa com a aquarela também se articula ao estudo de outros materiais pictóricos. A experiência com o guache e outras técnicas amplia as possibilidades de comparação entre procedimentos, opacidades, camadas e modos de construção da imagem.

A série dos coelhos: um personagem em transformação
A história do coelho na produção de José Mianutti começa em 2013, com uma sequência de desenhos a lápis de cor sobre papel Canson A3. Nesses primeiros trabalhos, o personagem aparece em cenas imaginativas, cercado por objetos, ferramentas, mãos e outras figuras. As composições apresentam situações que transitam entre o humor, o absurdo e o fantástico, construindo um universo gráfico no qual diferentes elementos participam de acontecimentos inesperados.
Nove desses desenhos, datados de 2013, constituem os primeiros registros conhecidos do personagem. Naquele momento, o coelho fazia parte de cenas narrativas, nas quais ações e interações entre figuras e objetos eram fundamentais para a construção das imagens.

Em 2021, após alguns anos sem trabalhar com o personagem, Mianutti voltou a ele em um momento de dificuldade para encontrar novos motivos para pintar. O que começou como uma retomada de uma figura já existente deu origem a uma série de 16 trabalhos. Nessa nova fase, o coelho passou a ocupar uma posição mais central nas composições, assumindo o papel de protagonista.
A mudança não estava apenas na técnica ou na passagem do desenho para a pintura. O personagem, antes integrado a cenas com múltiplos acontecimentos, passou a concentrar a atenção do observador. Sua presença tornou-se o eixo em torno do qual as composições eram organizadas, enquanto as diferentes situações em que aparecia ampliavam as possibilidades de exploração da figura.

Depois dessa série, o personagem permaneceu em hiato por alguns anos. Em 2026, Mianutti decidiu retomá-lo novamente, dessa vez em diálogo com sua pesquisa de objetos de vidro. A reintrodução do coelho nesse contexto estabelece uma relação entre duas vertentes de sua produção: de um lado, uma figura recorrente, carregada de uma história visual própria; de outro, o interesse pela representação de objetos, superfícies brilhantes, reflexos, luz e transparência.
Nas pinturas recentes, o coelho deixa de ser necessariamente o único protagonista e passa a integrar composições nas quais sua presença se relaciona com outros elementos. O contraste cromático entre o vermelho do personagem e os azuis de determinados objetos participa da organização visual das obras, enquanto a convivência entre a figura e as superfícies cuidadosamente representadas cria novas possibilidades de leitura.

Essa retomada não apaga as fases anteriores, mas acrescenta outra camada à história do personagem. Os desenhos de 2013, a série de 2021 e as pinturas recentes correspondem a momentos distintos, marcados por diferentes formas de organizar a imagem e de explorar a presença do coelho.
A continuidade do personagem permite que essas mudanças sejam percebidas ao longo do tempo. Cada retorno parte de uma figura reconhecível, mas modifica sua função e suas relações com os demais elementos da composição. O que começou como um personagem em cenas imaginativas tornou-se, assim, um recurso recorrente de investigação pictórica, capaz de atravessar diferentes momentos da trajetória do artista.
Mais do que uma série definida por um único tema, os coelhos constituem um campo de experimentação que acompanha as transformações do trabalho de José Mianutti. Sua história reúne retomadas, interrupções e novos contextos, mostrando como uma imagem criada em um momento específico pode adquirir outros sentidos quando retorna à prática artística anos depois.

O processo de pintura como forma de conhecimento
O interesse de José Mianutti pela pintura não se limita ao resultado final. A compreensão do processo de construção de uma imagem constitui uma parte importante de sua prática, tanto no ateliê quanto no ensino.
Observar um objeto, identificar suas relações tonais, compreender a estrutura das formas e decidir como organizar as etapas de uma pintura são operações que envolvem percepção, análise e tomada de decisões. O domínio técnico se desenvolve por meio dessa combinação entre conhecimento dos materiais e capacidade de interpretar visualmente aquilo que se pretende representar.
Essa perspectiva também aparece em seu trabalho com demonstrações de pintura, nas quais o desenvolvimento da imagem é apresentado por etapas, permitindo acompanhar as decisões tomadas durante o processo. O registro dessas etapas estabelece uma relação entre a prática artística e a investigação que a sustenta.
Ao tornar visíveis os procedimentos de construção da pintura, Mianutti aproxima a experiência do ateliê da reflexão sobre o próprio fazer artístico.

Da experiência em sala de aula ao ensino da arte
Paralelamente à produção artística, José Mianutti construiu uma trajetória dedicada à educação. Entre 2008 e 2014, atuou como professor de Arte na rede pública estadual do Paraná, experiência que lhe proporcionou contato direto com diferentes contextos de aprendizagem e com os desafios envolvidos no ensino do desenho e da pintura.
A experiência docente contribuiu para o desenvolvimento de uma abordagem de ensino baseada na demonstração prática, na organização gradual dos conteúdos e na compreensão dos fundamentos técnicos. Em vez de apresentar a pintura como um conjunto de resultados a serem reproduzidos, seu trabalho educacional procura tornar compreensíveis as etapas que permitem construir uma imagem.
A partir de 2018, passou a desenvolver e ampliar sua atuação no campo da educação digital por meio da Eu que Desenhei Cursos Online, projeto dedicado à produção de cursos e materiais didáticos de desenho e pintura.
Seus conteúdos abrangem aquarela, guache, desenho e lápis de cor, com propostas voltadas tanto a quem está começando quanto a pessoas interessadas em aprofundar seus conhecimentos. Os cursos combinam demonstrações, exercícios e explicações sobre materiais, procedimentos e fundamentos visuais.
Na educação online, a experiência prática de pintura é traduzida em materiais que permitem acompanhar o desenvolvimento de uma obra, desde as etapas iniciais até sua conclusão. Essa atividade mantém uma relação direta com sua própria experiência artística: ensinar também exige analisar procedimentos, compreender dificuldades e tornar explícitas decisões que, durante a prática, podem ocorrer de maneira intuitiva.
Entre a produção artística e a formação de novos artistas
A atuação de José Mianutti reúne duas frentes complementares: a pesquisa desenvolvida por meio da produção artística e a transmissão de conhecimentos por meio do ensino.
Na primeira, a pintura funciona como espaço de investigação das possibilidades da imagem, das características dos materiais e das relações entre observação e representação. Na segunda, a experiência acumulada no ateliê é organizada em percursos de aprendizagem que procuram tornar os processos técnicos mais compreensíveis.
Essa relação não elimina as diferenças entre criar uma obra e ensinar alguém a pintar. Ao contrário, permite que cada atividade contribua para a outra. A prática artística alimenta o conhecimento apresentado em aula, enquanto a necessidade de explicar procedimentos estimula uma compreensão mais consciente das decisões envolvidas na pintura.

Atualmente, José Mianutti vive e trabalha em Curitiba, onde continua desenvolvendo sua produção visual e seus projetos de educação artística. Sua trajetória reúne formação acadêmica, participação em exposições e salões, presença em acervos institucionais e uma atuação continuada no ensino do desenho e da pintura.
Na aquarela, seu interesse pela luz, pela transparência e pela representação dos objetos permanece como um eixo de investigação, articulando domínio técnico, observação e reflexão sobre o processo de construção da imagem.
Informações biográficas
Nome: José Luiz Stefano Mianutti
Atuação: Artista visual e professor de Arte
Nascimento: São Paulo, SP, Brasil, 1980
Residência e trabalho: Curitiba, PR, Brasil
Formação: Licenciatura em Artes Visuais, Universidade Federal do Paraná (UFPR), 2002–2005
Técnicas e áreas de atuação: Aquarela, guache, desenho, pintura e educação artística
Site: Eu que Desenhei
Exposições e registros selecionados
- 2026 – XXII Salão Itanhaense de Artes Plásticas Benedicto Calixto, Itanhaém, SP; IX Salão de Aquarelas de Piracicaba, Piracicaba, SP.
- 2014 – 2º Salão de Outono da América Latina, Memorial da América Latina, São Paulo, SP.
- 2013 – Arte Londrina — Pós-paisagem, Casa de Cultura da UEL, Londrina, PR.
- 2012 – Probare, exposição individual, Galeria de Arte do SESC Centro, Curitiba, PR.
- 2011 – 30º Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorana, Belém, PA.
- 2009 – 34º SARP — Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo, Ribeirão Preto, SP.
- 2008 – 27º Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorana, Belém, PA.
- 2006 – Draw_drawing_2, London Biennale, The Foundry Gallery, Londres, Reino Unido.
- 2005 – Todo Regime Começa na Segunda. SESC da Esquina. Curitiba – PR.
Obras em acervos públicos: Secretaria de Cultura de Guarulhos, SP; Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), SP.
