10 lições para quem quer se tornar artista em tempo integral

Tempo de leitura: 11 minutos

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José Mianutti. Acrílica sobre tela. 50 X 60 cm. 2019.

Depois de trabalhar por um longo período em um escritório, bar, café ou em qualquer outro campo não relacionado à arte, você está pronto para se dedicar à sua paixão em tempo integral. Há anos você passa suas tardes e finais de semana pintando, esculpindo e sonhando longe durante a noite.

Você sabe que pode fazer isso. Você sabe que você tem o potencial necessário. Você sabe que haverá longas horas de trabalho e será difícil no começo. Você sabe que isso tudo faz parte do processo. Você leu livros de negócios, economizou algum dinheiro para financiar seu estúdio e tem um plano.

Mas você nunca fez isso antes e não sabe exatamente o que esperar. Afinal, é um salto no escuro. Então, aqui estão 10 lições que você pode aprender no seu primeiro ano como artista em tempo integral.

1. Seu equilíbrio entre vida e trabalho ficará fora de controle por um certo tempo.

Você vai trabalhar longas horas. Às vezes, por estar tão animado e inspirado, que poderá perder a noção do tempo e perceber, à meia-noite, que esteve no estúdio por quase 18 horas. Outras vezes, será por estar atrasado em relação a um prazo que prometeu a um de seus primeiros grandes colecionadores, uma peça que você está tentando completar.

Não haverá ninguém para lhe dizer para fazer uma pausa. Nenhum supervisor para felicitá-lo por um trabalho bem feito. Nenhum cartão-ponto ou período de férias.

Você poderá se sentir culpado quando não estiver trabalhando, então você irá trabalhar o tempo todo. Você mudou toda a sua vida para perseguir esse sonho, porque muitas pessoas o apoiaram, porque você tem algo a provar e um rumo a seguir. Você vai trabalhar o tempo todo, todos os dias.

Isso também significa reservar algum tempo todos os dias para o seu parceiro, familiares ou amigos. Seja para uma refeição, um café ou um passeio no parque, certifique-se de planejar suas atividades sociais como se fizessem parte do seu plano de negócios – elas fazem parte do seu “plano de sucesso da felicidade” a longo prazo e você precisa ter certeza de não sacrificar seus relacionamentos para sua nova carreira.

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José Mianutti. Acrílica sobre tela. 30 X 40 cm. 2019.

2. Sua mentalidade mudará de “praticante de arte” para “negociante de arte”.

Antes de decidir seguir em tempo integral, você praticava seu ofício no seu tempo livre para experimentar, se expressar e crescer. E é claro, você deve sempre abordar sua arte dessa maneira.

No entanto, quando você decide transformar seu trabalho artístico em uma carreira, começará a ver sua arte como um ativo em uma empresa.

3. Você verá o benefício de se cercar de conselheiros, mentores e colegas do meio.

É um fato bem conhecido no mundo dos negócios cercar-se de pessoas que sabem mais do que você, para que possam guiá-lo na direção certa. Ao selecionar consultores confiáveis, você obtém insights sobre áreas nas quais talvez ainda não seja um especialista. Além disso, a verdade é que os artistas precisam ser especialistas em muitas áreas.

Ninguém pode ser um especialista em marketing, pintura, vendas, contabilidade, jurídico, transporte e negócios. É demais para uma só pessoa. É por isso que você precisa encontrar as pessoas certas para colocar em sua equipe.

Além disso, é igualmente importante se alinhar com artistas que estão no mesmo estágio que você. Encontrar uma gangue de artistas que pensam da mesma maneira e que estão em uma carreira semelhante ajudará você a trabalhar com ideias, a ter empatia com seus contratempos, a compartilhar sua celebração de sucesso e a encontrar humor no dia a dia de compartilhar experiências de artista.

O que a maioria das pessoas não lhe diz sobre ser artista é que pode ser extremamente solitário.

Ter um grupo ou apenas um ou dois amigos próximos para passar pelo processo fará com que você fique mais forte, mais feliz e mais satisfeito com sua jornada.

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José Mianutti. Acrílica sobre tela. 50 X 50 cm. 2019.

4. Você vai (talvez a contragosto) aprender a aceitar graciosamente e receber comentários.

Não há maneira de contornar isso, seu trabalho será criticado. Quando você escolhe ganhar a vida com o seu trabalho artístico, você vai ter que expô-lo para o mundo ver e julgar. E isso significa que, inevitavelmente, você vai ter feedback e, às vezes, feedback duro à respeito do seu trabalho.

E sejamos francos, muitas vezes dói. Você coloca suas emoções, experiências pessoais, idéias mais íntimas – todo o seu eu – em seu trabalho. E é por isso que as críticas podem ser profundas.

A maneira mais rápida de contornar isso é aceitar críticas e ouvi-las para alimentar seu crescimento. Quanto mais você ouve, mais você ajusta, melhora, torna-se mais eficiente, mais lucrativo. Você pode, em última análise, construir um negócio melhor ouvindo e absorvendo verdadeiramente seu feedback e aplicando-o ao seu negócio.

Se você administra seu negócio em um vácuo e apenas ouve críticas positivas, sua empresa permanecerá sempre estagnada. Quanto mais você puder adotar uma mentalidade do tipo “o que eu poderia estar fazendo melhor”, mais rápido seu negócio crescerá e mais felizes seus clientes ficarão.

Não tenha medo de entrar em contato com colecionadores ou clientes com os quais trabalhou recentemente e perguntar sobre sua experiência. Onde você pode melhorar, o que funcionou, o que não funcionou, quais foram as áreas que causaram atrito ou ansiedade com o cliente? Como você pode trabalhar nisso no próximo pedido? A crítica é difícil de engolir para quase todos, mas aqueles que realmente a ouvem são os melhores negociantes.

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José Mianutti. Acrílica sobre tela. 60 X 50 cm. 2019.

5. A perfeição é inimiga do progresso.

No cerne do perfeccionismo está o medo. Medo de falhar. Medo de rejeição. Medo de não corresponder às expectativas.

Esse medo pode ser incapacitante, especialmente em um campo criativo que exige constante produção e que coloca nosso ego totalmente em risco. Essa vulnerabilidade tem a capacidade de paralisar um perfeccionista em sua trilha, tornando quase impossível fazer qualquer coisa.

Pratique aceitar a posição que você se encontra atualmente em relação ao seu trabalho. Pode ser difícil quando você começa (na verdade, em qualquer estágio) a aceitar a lacuna entre onde você está e onde você quer estar. Você pode possuir um objetivo claro para o seu trabalho, mas suas habilidades podem não estar te levando até lá… ainda.

Concentre-se em fazer mais trabalhos, mais esboços, mais experiências, antes de cair de cabeça num projeto.

Perceba que você não precisa criar uma obra-prima toda vez que entrar no estúdio. Se você entra, pinta e se sente bem, aprende algo, se alonga e desfruta do processo, isso é um sucesso.

Você não precisa “mudar o mundo” com cada arte que você faz. Tire a pressão e você vai se divertir ao longo do caminho.

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José Mianutti. Acrílica sobre tela. 80 X 100 cm. 2019.

6. Organizar-se desde o início poupa muito estresse.

Não há nada pior do que gastar seu tempo procurando por arquivos, informações de contato, imagens ou detalhes sobre uma obra de arte quando você deveria estar no estúdio. A realidade é que manter-se organizado é uma luta diária para muitos artistas.

No entanto, ser um negociante de arte organizado pode poupar muito esforço e colocá-lo em um lugar melhor para escalar seu negócio mais rapidamente.

Ser organizado é o que ajuda você a ser pago a tempo, oferece oportunidades maiores e permite que você se apresente com facilidade e profissionalismo.

7. Não é como você vê no Instagram.

Nem todos os dias são estúdios iluminados pelo sol e aberturas de exposições.

Como todo mundo que passou mais de cinco minutos percorrendo as redes sociais notou, há muitos posts idílicos de artistas e empreendedores por aí que podem ser inspiradores e, ao mesmo tempo, desencorajadores.

Uma infinidade de artistas bem-sucedidos viajando pelo mundo, fazendo com que o que você acredite ser uma vida muito fácil e que eles não dão duro por trás dessas fotos bonitas.

Não compare sua jornada ao que você vê nas redes sociais. A comparação é o ladrão da alegria e da visão.

8. Você vai (e deve) dizer sim para todas as oportunidades… no começo.

Em seu primeiro ano, para quanto mais oportunidades você disser “sim”, mais outras surgirão em seu caminho. Você conhecerá novas conexões em inaugurações de galerias, ouvirá sobre novos financiamentos ou programas para concorrer e encontrará parceiros de colaboração e negócios. Colocar-se lá fora, não só cria mais oportunidades, mas também lhe dá uma rede que será fundamental para o seu sucesso.

Se sua arte for aceita e vendida em uma galeria, é óbvio que ela pedirá mais trabalho. É neste período de teste que uma galeria pode ver como seu trabalho é recebido pelo público e como você é capaz de trabalhar como artista. Esteja sempre preparado. Você não apenas causará uma ótima primeira impressão, mas também será mais provável que desejem continuar trabalhando com você no futuro.

Claro, você não pode continuar dizendo sim para sempre ou você vai se esgotar. Durante o primeiro ano como artista em tempo integral, você aprenderá quais oportunidades valem a pena dizer “sim” e quais são melhores para dizer “não, obrigado”. Manter o controle de suas exposições e vendas ajudará a entender em quais oportunidades investir nos próximos anos.

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José Mianutti. Acrílica sobre tela. 70 X 50 cm. 2019.

9. Você pode (e deve) manter-se firme em seus preços

Você precisa ter seu trabalho a preços de mercado competitivos e cobrar em seu nível de habilidade, mas trabalhar horas intermináveis ​​por um salário injusto só levará a um estresse massivo. Em seu primeiro ano, você será tentado a fazer uma venda, não importa o valor. Você abaixará seus preços, concederá descontos e concordará com termos imprevisíveis.

O que você deve aprender é que você está no comando dos preços que você cobra. Você pode definir seus preços e as pessoas podem concordar com eles, mas você tem que aprender a tratar-se com o respeito que você trataria um empregado. Você também aprenderá que algumas pessoas podem não concordar com esses termos ou preços e essa é a escolha deles. Mas haverá clientes que irão.

No entanto, considere o valor e a demanda pelo seu trabalho também. Se você está vendendo rapidamente e continuamente suas obras por R$ 500,00 é hora de aumentar os preços.

10. Você vai se arrepender de não documentar e catalogar seu trabalho artístico no futuro.

Em seu entusiasmo para fazer uma venda, você pode ficar tentado a ignorar a documentação e catalogação do seu trabalho artístico. No entanto, você descobrirá que essa é uma das partes mais essenciais do processo, pois as fotografias servirão como seu portfólio para vendas futuras.

Inventariar seu trabalho artístico garante seu legado como artista e ajuda a estabelecer sua credibilidade. Também ajuda a organizar, fortalecer e otimizar seu negócio de arte. Criar um inventário de seu trabalho não precisa ser a tarefa mais difícil que fazemos – especialmente com tantos programas de inventário de arte intuitivos e fáceis de usar por aí, é só pesquisar.

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José Mianutti. Acrílica sobre tela. 100 X 70 cm. 2019.

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