Como pintar naturezas-mortas

Tempo de leitura: 4 minutos

Acrílica sobre papel de José Mianutti

Natureza-morta é um dos temas que melhor permitem ao artista explorar a riqueza da cor contida na própria tinta. Grandes mestres de todas as épocas aproveitaram ao máximo essa qualidade, pintando frutas reluzentes, cintilantes gotas de orvalho, brilhantes peças de vidro, cheias de cor e cheias de luz.

Para os principiantes, a natureza-morta oferece a oportunidade de trabalhar com uma composição que, dando-lhe controle total sobre o arranjo, a iluminação e o esquema de cores, constitui excelente ponto de partida para explorar um conjunto de habilidades comuns a todos os tipos de pintura.

Arranjo da natureza-morta

As possibilidades de escolha para compor uma natureza-morta são virtualmente ilimitadas. Frutas e hortaliças são elementos muito usados, por apresentarem formas simples e cores sutis. Mas você pode substituí-las por objetos domésticos, principalmente se derem um toque mais pessoal à obra.

Ao compor um arranjo, tenha em mente os seguintes pontos:

  1. Aumente o interesse visual escolhendo objetos de tamanhos diferentes.
  2. Varie as texturas: rígida e macia, áspera e lisa, grossa e delicada.
  3. Uma toalha de mesa contrasta bem com a maioria dos objetos domésticos e constitui uma boa maneira de quebrar o espaço do primeiro plano.
  4. Equilibre cores quentes e frias: se o arranjo for predominantemente verde e amarelo, por exemplo, acrescente algo azul ou roxo.
  5. Procure equilibrar formas e tamanhos. Experimente começar com um arranjo marcadamente geométrico e deixe seu senso de composição desenvolver o resto.
  6. Aproveite ao máximo a oportunidade de testar os recursos composicionais: por exemplo, use cores para conduzir os olhos do observador pela pintura.
  7. Crie padrões interessantes de luz e sombra, procurando refletir a luz nas áreas de sombra para torná-las mais vivas.
  8. Coloque os objetos perto do fundo (uma parede ou uma placa), para obter melhores resultados.
Acrílica sobre papel de José Mianutti

Processo de pintura

Uma vez definido o arranjo (caso você mesmo organize os objetos à sua frente), deixe-o num local isolado, onde possa permanecer por longo período, para você refinar os detalhes ou refazer algumas partes.

Coloque o suporte em que você irá pintar ou desenhar (tela ou papel), de maneira que lhe permita olhar do suporte para o motivo e vice-versa com o mínimo de movimento ocular. 

Em geral, é melhor naturezas-mortas “alla prima”, ou seja, trabalhando sobre a tela de uma só vez e deixando para desenvolver cada objeto posteriormente, em etapas sucessivas.

Trabalhe do claro para o escuro a fim de obter contornos bem misturados e gradações sutis de tons. E use o tempo que precisar para exercitar-se no controle de cores. Experimente, por exemplo, repetir cores em áreas diferentes, para unificar a composição.

Acima de tudo, estude com atenção as áreas de sombra e não esqueça que poderá ter algumas surpresas: seguindo a regra de que as cores dos objetos na sombra sofrem mudança de temperatura, provavelmente a parte sombreada de uma maçã amarelada, por exemplo, apresentará um reflexo azulado.

Um pouco de ação

Experimente colocar um pouco de ação em suas naturezas-mortas, para dar-lhes maior interesse. Como você não pode mostrar formas em movimento, reproduza resultados de atividades ocorridas antes.

Pedaços de frutas, sobras de alimentos, louças quebradas, são bons expedientes para indicar que a mão humana agiu sobre os elementos representados na tela.

Outro recurso bastante comum consiste em incluir no arranjo um recipiente entornado, com seu conteúdo espalhado. Distribua esse conteúdo de modo a conduzir os olhos do observador para o foco de interesse ou para enfatizar o padrão de iluminação. Contraste as tonalidades e as temperaturas das cores com as do resto do quadro, para dar maior versatilidade ao conjunto.

Acrílica sobre papel de José Mianutti

 

O ângulo de visão

Antes de dispor os elementos de sua natureza-morta, defina o ângulo de visão que pretende adotar, pois ele determinará o arranjo.

Em geral, a composição é focalizada de cima para baixo, já que esse ângulo ajuda a criar uma sensação de espaço, que você pode reforçar planejando o arranjo da frente para trás.

No entanto, se preferir enfocar o arranjo de frente, arrume os objetos para serem vistos na extensão da pintura, pois neste nível você não tem exata noção de profundidade.

Por último, se você pretende fazer um simples estudo, não vale a pena gastar tempo com o arranjo. Mas, se planeja uma pintura definitiva, não hesite em passar horas, caso necessário, para compor o melhor arranjo possível. E, se você não se importar com originalidade, pode trabalhar com imagens encontradas na internet também.

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