Desenhos de interiores domésticos

Tempo de leitura: 5 minutos

Acrílica sobre papel de José Mianutti

Retratar interiores – sejam eles ricamente decorados ou, ao contrário, evocativos por sua própria simplicidade –  sempre foi desafio para aqueles que se dedicam ao desenho e à pintura.

Ao lado da riqueza de motivos que oferecem, os interiores domésticos trazem também seus problemas e apresentam, às vezes, armadilhas que colocam à prova a versatilidade de quem desenha, exigindo uma sutil habilidade para trabalhar com a iluminação, um bom sentido de composição e um olho apto a escolher com segurança o ponto de vista correto.

Iluminação do desenho – ou pintura

A fonte de luz é um aspecto fundamental em qualquer desenho ou pintura de ambiente. Como as opções são muitas – iluminação natural, artificial ou a combinação de ambas – você tem um campo muito vasto para criar padrões interessantes de luz e sombra.

De qualquer forma, precisará determinar desde o princípio a fonte de luz principal e de que maneira ela irá funcionar na composição. Estas são apenas algumas das opções possíveis:

a) luz natural entrando por uma janela ou porta aberta;
b) luz artificial –  de uma lâmpada suspensa ou luminária de mesa;
c) luz infiltrando-se por debaixo da porta ou através de frestas na parede;
d) luz natural proveniente de cima – de claraboia, por exemplo.

Observe onde e como a luz incide: o que ela ilumina, o que deixa na sombra e onde cria reflexos brilhantes. Atente principalmente para o modo como a luz atua sobre seu centro de interesse e, se necessário, mude as coisas de lugar até obter o efeito que deseja.

Desenho com fontes de luz secundárias

Acrílica sobre papel de José Mianutti

Muitas vezes, a luz do ambiente provém de diversas fontes: de várias janelas ou de uma combinação entre luz natural e uma fonte artificial, como uma luminária de mesa. Leve em conta essas distinções entre as várias fontes, principalmente nas áreas em que elas interagem.

Numa pintura monocromática, por exemplo, as fontes secundárias de luz tendem a complicar as coisas, rompendo o padrão tonal geral com áreas localizadas de gradações sutis. Portanto, examine essas fontes secundárias com bastante atenção ao desenhá-las.

Na cor, a questão da temperatura é de suma importância. Como regra, a luz natural tende a ser fria (com exceção da luz solar direta, que tem brilho quente e amarelo). Ao contrário, a luz artificial é normalmente quente. Essa diferença deve ser levada em conta nas suas misturas; e não esqueça que a luz quente produz sombras frias e vice-versa.

Luz refletida

Aquarela e acrílica sobre papel de José Mianutti

Paredes, espelhos e uma série de outros objetos normalmente encontrados em interiores refletem, em certa medida, a luz proveniente tanto da fonte principal como das secundárias. Tire vantagem disso, aproveitando para jogar luz nas sombras e torná-las, assim, mais coloridas. E lembre-se de que um objeto muito refletivo, como um espelho, atua por si mesmo como uma fonte secundária.

Ponto de vista e perspectiva no desenho

Acrílica sobre papel de José Mianutti

Ao escolher um ponto de vista, considere que você tem a liberdade de expandir seu campo de visão, a fim de incluir na composição bem mais elementos do que os abrangidos por uma lente objetiva fotográfica.

Assim, estude bem o ambiente e não tenha receio de incluir elementos alheios à estrutura  básica, a fim de reforçar a composição. Os seguintes aspectos devem ser considerados:

a) de maneira geral, um ponto de vista alto, que faz o observador dirigir o olhar para o chão, cria uma ambientação doméstica, confortável. Inversamente, um ponto de vista baixo, que focaliza mais o teto do que o chão, pode evocar uma atmosfera misteriosa, até perturbadora;
b) quando o ponto de vista é colocado no lugar de encontro de diversos planos – por exemplo, o canto de um quarto onde se juntem duas paredes, o chão e o teto – consegue-se criar diagonais fortes e figuras geométricas, que dão mais vida à cena;
c) padrões decorativos em tapetes, paredes e mobiliário podem servir como linhas-guias, orientando o olhar para o foco de interesse;
d) procure achar um ponto de vista no qual os objetos se sobreponham: isso unifica a composição;
e) determine um ponto de fuga bem definido, onde as linhas das paredes, tapetes e móveis se encontrem.

Unidade na composição do desenho

Aquarela e acrílica sobre papel de José Mianutti
Aquarela e acrílica sobre papel de José Mianutti

Às vezes um ponto de vista muito bem determinado e uma iluminação cuidadosamente organizada não são suficientes para evitar que o interior fique com a aparência de uma coleção de elementos caóticos, sem relação mútua.

Há duas maneiras de impedir que isso ocorra: primeiro, evitando ser excessivamente literal em sua abordagem – elimine todos os detalhes que não contribuam para a atmosfera que você quer enfatizar no ambiente; ou então deixe-os apenas sugeridos. Segundo, procurando sempre ligações de tom e de cor entre os diversos elementos. Aqui a iluminação pode ser útil – por exemplo, produzindo um reflexo amarelado, que unifique todos os elementos do ambiente.

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