Como pintar a água

Tempo de leitura: 5 minutos

Reproduzir a água numa tela ou papel constitui sempre um grande desafio para quem pinta. O principal obstáculo é conseguir uma boa reprodução de sua transparência e complexidade de cores e reflexos.

Mas são justamente essas dificuldades que fazem da água um motivo tão fascinante e estimulam o empenho e o prazer de dominá-lo tecnicamente.

Aquarela e acrílica de José Mianutti

Cores da água

A água não possui cor própria: assume a das coisas que a cercam. Assim, antes de pintá-la, faça um levantamento das principais influências de cores que recebe.

Suponhamos, por exemplo, que você está pintando um lago. Ao ar livre, a influência de cor mais importante é o céu – isso faz com que num dia claro, o lago fique azul, e tende a ficar cinza num dia nublado.

Mas é importante considerar também as condições locais de iluminação. No meio de uma floresta, por exemplo, a água costuma ficar escura e sombria; já ao nascer do sol, num lugar aberto, ficará mais clara e quente.

Além disso, qualquer mudança nas condições de iluminação pode fazê-la assumir as cores mais inesperadas.

Ao pintar ao ar livre, examine atentamente a paisagem à sua volta e verifique quais são as cores dominantes; elas provavelmente estarão sendo refletidas pela água, junto com a cor do céu.

Todas essas influências atuam simultaneamente e transformam a água num mosaico de cores . Ao pintar, observe as formas dessas áreas de cor e os padrões que elas criam. 

Não tenha receio de refazer essas formas e padrões se isso melhorar a composição – talvez colocando ondulações ou reflexos de cor e exagerando ou minimizando as cores refletidas.

Mas lembre-se de observar sempre uma regra: torne essas modificações compatíveis com o resto da pintura. Ou seja, se você alterar um reflexo, altere também o objeto refletido e vice-versa.

Aquarela e acrílica de José Mianutti

Movimento

Se o vento for muito forte, a ondulação da água distorcerá o colorido original do “mosaico de cores”. As pequenas ondas criam também seus próprios padrões de claro e escuro.

A título de exercício, compare a tranquilidade de um lago com a mobilidade de um riacho. Veja como este último desenvolve seu próprio padrão de claros e escuros, à medida que a água se encrespa em determinados lugares e corre lisa em outras. Note também que as cores refletidas ficam borradas e fragmentadas.

Um rio que corre muito depressa também levanta sedimentos de seu leito, turvando a água e seus reflexos.

Reflexos

Os reflexos constituem muitas vezes a parte mais intricada de uma pintura de água. Se você estiver pintando a céu aberto, estude-os com atenção até encontrar um padrão que considere característico; pinte-o então rapidamente, sem hesitar.

Se o reflexo for nítido, pinte-o como uma inversão do objeto. Onde houver ondulações na superfície, alongue a perspectiva e atente também às fragmentações provocadas pelas ondas.

Quando necessário, refaça um ou outro reflexo, para torná-lo visualmente mais interessante – nada obriga você a fazê-lo exatamente igual ao objeto que está sendo refletido.

Aplique a tinta com gestos amplos, deixando os contornos suaves. Mantenha o mínimo de detalhes, a fim de que tudo pareça ligeiramente fora de foco – um reflexo pintado com demasiada exatidão tende a ficar desinteressante.

Numa superfície em movimento ou encrespada, o reflexo pode assumir o aspecto de um simples borrão de cor. Mesmo assim, lembre-se de que ele deve apresentar áreas de luz e de sombra. Por exemplo, o reflexo de uma pedra sobre a água poderia ser reproduzido por um borrão escuro e outro claro, lado a lado. No entanto, a transição entre os tons nunca deverá ser nítida –  mesmo que o seja na própria pedra.

Tenha também em mente que os contrastes tonais nos reflexos nunca são tão acentuados como nos próprios objetos. Os claros devem ficar um pouco mais escuros e os escuros um pouco mais claros, senão os reflexos assumirão excessiva evidência e a água não parecerá convincente.

Aquarela de José Mianutti

Como pintar

A melhor maneira de reproduzir a água é pintar de maneira fluente, restringindo os detalhes ao mínimo. Para dar a impressão de massa de água, unifique as áreas de cor fragmentadas, fundindo seus contornos.

Não exagere na ondulação da água. Sugira o movimento da superfície pintando apenas algumas ondas pequenas no primeiro plano – ou em outra parte para a qual você queira dirigir a atenção do observador.

Uma das maneiras de dar à água uma aparência suave e fluida é começar com pinceladas arrojadas de tinta rala (caso você opte pela tinta à óleo ou acrílica), já levando em conta a posterior colocação dos detalhes.

Você pode usar apenas pinceladas verticais ou horizontais, evitando as diagonais, de modo a tornar o trabalho menos óbvio. Se quiser minimizar a textura, raspe a tela de leve com uma espátula.

Quando as formas principais já estiverem determinadas, volte a usar tinta mais pesada, pincéis menores e pinceladas mais precisas, para acrescentar os detalhes. Você pode pintar os reflexos com contornos fortes ou suaves.

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Aquarela e acrílica de José Mianutti

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