Imagens e sons

Imagens e sons

Acrílica sobre papel de José Mianutti

Um dos maiores desafios para o artista plástico é a transmissão da ideia de som – ou de sua ausência – pelo uso de um meio puramente visual, como a pintura. Esta concepção de que a imagem deve ser “ouvida”, além de olhada, pode parecer estranha a princípio, porém, nem tanto quando paramos para refletir como estes sentidos estão conectados.

Sempre que vemos alguma coisa, em geral também a ouvimos. E, no decorrer dos anos, nosso cérebro associa as duas sensações. Por exemplo, um quadro representando uma sala cheia de gente ou uma onda arrebentando, evoca forte sensação de barulho. Já uma sala vazia ou uma praia deserta transmitem com a mesma intensidade o “som do silêncio”.

É no subconsciente que um artista deve verificar se seu trabalho capta de fato a atmosfera de uma cena. Motivo, cor, composição e técnica desempenham um importante papel.

Aquarela e acrílica sobre papel de José Mianutti

Se uma cena o impressiona, sugerindo que vale a pena desenhá-la ou pintá-la, decida se ela será “sonora” ou “silenciosa”. Os motivos ruidosos envolvem ação. Por exemplo, um grupo de pessoas retratado numa rua movimentada transmite maior sonoridade do que se fosse pintado numa praia. Automóveis retratados numa pista de corridas são muito mais ruidosos do que estacionados numa viela.

Motivos calmos tendem a mostrar pouca evidência de forças da natureza em ação, de atividades humanas ou mecânicas. Assim, um vilarejo sem carros ou pedestres traz uma impressão sonora bem diferente da de uma cidade com ruas cheias e agitadas.

Por mais barulhento ou calmo que seja um motivo, a maneira de desenvolver a pintura em torno dele pode ter um efeito dramático sobre a transmissão ou não de som ao observador. Algumas pessoas retratadas de perto numa sala cheia, por exemplo, sugerem um nível sonoro muito diferente do que quando retratadas ao longe, num espaço vazio e maior. Da mesma forma, ondas quebrando na praia podem sugerir agitação, bem como tranquilidade: depende do estado de espírito do observador.

Aquarela e acrílica sobre papel de José Mianutti

A estrutura de uma composição também pode carregar forte conteúdo de “sonoridade” ou de “tranquilidade”. Quando a ênfase encontra-se no horizontal e vertical, com figuras fortes, simples, impregnadas de calma, harmonia e uniformidade, o efeito é de estabilidade. Mas, assim que se introduzem diagonais instáveis e formas contrastantes, o olhar do observador é como que “sacudido” e a mente estabelece imediata conexão entre movimento e som.

Barulho das cores

O termo “roupa berrante” lembra o quanto são fortes as ligações entre cor e som. Como regra geral, esquemas de cores harmoniosas ou suaves evocam sensação de paz. Já os que contém cores primárias ou secundárias vivas, transmitem imediata ideia sonora. Porém, tudo depende de como as cores são combinadas.

Acrílica sobre papel de José Mianutti

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